Itaú Cultural celebra os 200 anos de nascimento de Maria Firmina dos Reis com conteúdo em seu site e na plataforma Ancestralidades

A primeira escritora negra a publicar um romance no Brasil tem sua obra destacada como referencial à trajetória pessoal e profissional de artistas negras da atualidade e é revelada ao público como pioneira, também, em outras atuações sociais. O percurso da autora maranhense, que marcou a literatura pré-abolicionista, está, também, em verbetes na Enciclopédia Itaú Cultural e no portal Ancestralidades, o qual, ainda em março, publica texto comemorativo a esse bicentenário.

 

Para celebrar as duas décadas de nascimento da romancista, contista e professora Maria Firmina dos Reis (1822–1917), primeira mulher negra a publicar um romance no Brasil, o Itaú Cultural disponibilizou material especial em seu site www.itaucultural.org.br. A comemoração estende-se à Enciclopédia Itaú Cultural e à plataforma Ancestralidades – esta, criada em parceria pelo Itaú Cultural e a Fundação Tide Setubal para reunir informações sobre as heranças culturais do país –, onde se pode conhecer mais sobre a importância da autora nos verbetes disponibilizados a respeito de sua obra.

Mulher negra nascida no dia 11 de março de 1822, em São Luís do Maranhão, Maria Firmina dos Reis deixou marcas no pensamento e na literatura pré-abolicionista no país, que vêm ganhando cada vez mais luz, embora não tenha sido reconhecida entre os nacionalmente renomados autores da literatura maranhense. No material produzido pelo site do Itaú Cultural para comemorar a efeméride, é revelada uma a autora presente no imaginário e na voz de artistas de diferentes artes, com uma trajetória estendida para várias atividades e inédita no Brasil do século XIX, que vão além de Úrsula (1859), seu romance de estreia.

Mulher referencial

A atriz maranhense Júlia Martins, que desde 2019 interpreta a escritora no espetáculo Maria Firmina dos Reis, uma voz além do tempo, conta para o site do IC como a conterrânea foi determinante para a sua trajetória pessoal e profissional. “Ela me trouxe aceitação, força, sabedoria e me fez enxergar do que sou capaz e que jamais devo me calar”, diz. Em março, ela volta a viver Firmina na inauguração de um museu dedicado à escritora, em sua cidade natal.

A matéria traz ainda o olhar expandido sobre essa mulher precursora, também, em outras atividades e segmentos da sociedade dos anos 1800. No texto, o pesquisador Rafael Balseiro Zin, autor de Maria Firmina dos Reis: a trajetória intelectual de uma escritora afrodescendente no Brasil oitocentista (Aetia Editorial, 2019), destaca curiosidades sobre o caminho da escritora maranhense, autora também de Gupeva (1861), Cantos à Beira-mar (1871) e A Escrava (1887), 

Além de ter sido a primeira mulher negra a publicar um romance no Brasil – Úrsula foi publicado pela primeira vez em 1859, na cidade de São Luís, sob o pseudônimo “Uma maranhense…” –, o ineditismo de Maria Firmina dos Reis não se restringiu à literatura. Segundo Zin, ela foi uma das primeiras mulheres a passar em um concurso público no país para exercer o ofício de professora, no qual atuou até 1881.

O pesquisador também cogita que ela pode ter sido pioneira na atuação como compositora no Brasil, título atribuído a Chiquinha Gonzaga, 25 anos mais jovem. Para ele, é provável que antes de Chiquinha ela tenha escrito canções folclóricas, além da letra e música do Hino à Liberdade dos Escravos, de 1888. 

Ainda, Firmina abriu portas à representação feminina na preservação da literatura oral brasileira. Segundo o pesquisador, como ela tinha um pensamento libertário e à frente do tempo em que vivia, lutou pela causa antiescravagista em voga no Brasil do século XIX, deixando um legado que reforça causas ainda em debate na atualidade, como os de que vidas negras importam e lugar de mulher é onde ela quiser.

 

Na rede

Quem tiver interesse em saber mais sobre a trajetória de Maria Firmina, verbetes sobre a escritora podem ser consultados na Enciclopédia Itaú Cultural https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa641361/maria-firmina-dos-reis  e na seção Biografias e Trajetórias da plataforma Ancestralidades https://www.ancestralidades.org.br/biografias-e-trajetorias

O Ancestralidades, ainda no mês de março, dentro das comemorações aos 200 anos de nascimento da romancista, disponibilizará um texto a respeito da escritora, considerada precursora das literaturas abolicionista e afro-brasileira. Um dos destaques é para o livro Úrsula, no qual negros escravizados falam e escrevem por si em uma narrativa sobre um triângulo amoroso na sociedade patriarcal escravista brasileira do período. 

 

SERVIÇO

200 anos de Maria Firmina dos Reis (1822-1917)

Conteúdo especial no site do Itaú Cultural www.itaucultural.org.br lançado desde o último dia 11 de março.

Verbetes na Enciclopédia Itaú Cultural www.enciclopedia.itaucultural.org.br e na plataforma Ancestralidades www.ancestralidades.org.br

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DIÁRIO DE BORDO NO JP

Vanessa Serra é jornalista. Ludovicense, filha de rosarienses.

Bacharel em Comunicação Social – habilitação Jornalismo, UFMA; com pós-graduação em Jornalismo Cultural, UFMA.

Atua como colunista cultural, assessora de comunicação, produtora e DJ. Participa da cena cultural do Estado desde meados dos anos 90.

Publica o Diário de Bordo, todas as quintas-feiras, na página 03, JP Turismo – Jornal Pequeno.

É criadora do “Vinil & Poesia” que envolve a realização de feira, saraus e produção fonográfica, tendo lançado a coletânea maranhense em LP Vinil e Poesia – Volume 01, disponível nas plataformas digitais. Projeto original e inovador, vencedor do Prêmio Papete 2020.

Durante a pandemia, criou também o “Alvorada – Paisagens e Memórias Sonoras”, inspirado nas tradições dos folguedos populares e lembranças musicais afetivas. O programa em set 100% vinil, apresentado ao ar livre, acontece nas manhãs de domingo, com transmissões ao vivo pelas redes sociais e Rádio Timbira.

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